




O camera-man pode dizer que já se emocionou em uma matéria e tentou mostrar aquela emoção usando seu equipamento. Já chorei em entrevistas tristes que me deixaram perplexo com a perversão da alma humana, mas também quase não segurava a câmera de tanto rir. É nisso que vejo a nossa arte, é sentir e sintetizar essas emoções. Fazer o mundo sentir a tristeza, a alegria ou a dor da morte na vida através de uma tela de TV não é uma tarefa fácil. Muitas vezes o câmera não entende a matéria, mas tem que absorver o sentimento para produzir um bom trabalho.
Vem com indicações sobre direcionamento, tempo, horóscopo, simpatia para trazer a pessoa amada, condições climáticas, resultado do bicho e sugestões de imagens.
É a bula da reportagem. Lá contém todos os detalhes, macetes e contra-indicações.
Funciona quase como a Bíblia, se o repórter tiver boas intenções, souber interpretar e seguir direitinho às vezes (disse às vezes) pode se salvar.
Mas o pauteiro é outra criatura engraçada e exepcional.
Ar condicionado, jornais impressos, canal e sites de noticias, twitter e café. O habitat do pauteiro é esse. São arredios, mas vivem em bandos. Muitos nunca estiveram no front, nas ruas. Muitos têm medo de enfrentar o sol e talvez a chuva. Medo de ser acertado na cabeça, propositalmente ou não, pela câmera do cinegrafista ou de levar cotovelada em coletiva e depois fazer um stand-up.
Outros não têm medo! Esse entende e ajuda muito a equipe que está na rua, mas conhece todas as malandragens do repórter. Sempre desconfia da pauta que cai, do imprevisto, da chuva...
O pauteiro é o palpiteiro no jornalismo. Canta a jogada pro repórter, cinegrafista, assistente, motorista...
É prudente tentar seguir a pauta, porem isso não impede de improvisar. Sempre tome cuidado. É fácil se desesperar quando se tem pouco tempo para produzir muita coisa, fácil se estressar quando o planejamento é todo seu e é mais fácil querer mandar quando se trabalha perto do chefe.